terça-feira, 29 de janeiro de 2013

5 am (de novo, de novo, de novo...)

Ouça o som da madrugada.

Ninguém diz nada.
Nem mesmo o vento.

O extremo silêncio.

Sem buzinas, crianças chorando
cachorros latindo, gritos.
Mais gritos, barulhos de panela
copos se quebrando, gatos procriando
Musica ruim e alta.

Não as 5 horas da manhã.

Talvez seja esse o motivo de estar acordado.
A verdadeira sensação de paz.
De alivio. 
Talvez eu seja um misantropo. 

Não há muito o que apreciar quando todos acordam.
Não há tempo.
Nunca há tempo.

A beleza da manhã
é destroçada pelo o cotidiano.
A paz matinal
é substituída pelo stress.

Hollywood nos ilude novamente.
Não consigo apreciar o nascer do sol
com o cigarro acesso
Fazendo olhar de inteligente pro céu...

Que embuste.

Hollywood dorme as 6 da manhã
E eu deveria fazer o mesmo.
e faço.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

R$ 9.10

"Hum... neorrealista ein...
Bacanas seus textos, cara.
Um pouco pessimista, devo dizer.
Mas deve ser culpa do Bukowski
Ou dos quadrinhos do Pekar"

Bom, eu...

"Tudo bem cara.
Influencias são importantes.
Mas me diga, porque tanta angustia?
Digo, você vive bem, tem uma boa casa
Uma namorada.
Você ama sua namorada, não ama?"

Amo....

"...Então rapaz.
Anime-se.
Você é jovem ainda
Tem a vida pela frente."

Eu simplesmente escrevo
Não é como se eu fosse um ser soturno.
Mas verdade seja dita
A vida também não é essa maravilha toda.

"Como não cara?
Escute!
Tá escutando?"

Não.

"Exato.
Você vive no interior,cara.
Não tem o transito caótico
e todo o stress paulistano
Buzinas, fumaça, céu permanentemente nublado.
Isso sim deixaria alguém terrivelmente deprimido".

Você deve ter razão.
Bom, vou indo já.

"Então é só isso?
Deu 9 reais e 10 centavos"

Ok.

"Tem uma moeda de 10 ai?
Facilitaria o troco"

Poxa, não tenho.

"Tudo bem."

Bom, até mais
A gente se vê cara.

"Não tão cedo, to trabalhando 12 por 36
nessa loja de conveniência.
Não me sobra tempo pra praticamente nada
A não ser dormir."

Isso explica muita coisa.

"O que?"

Nada cara.
Até mais
Bom falar contigo.

Acorda, Bruno.

Acordei 2 horas mais cedo hoje
Chamo isso de progresso.

Após me alertarem dos malefícios
de trocar o dia pela noite
Novamente, sem hesitação
Mudo meus hábitos
Em busca de uma vida melhor.

Sem gastrite
Com café.

A sensação ainda é a mesma.
Não foi o suficiente pra me conformar.

Pessoas uniformizadas andando pela rua.
Com pressa
com stress.

Bebo uma xícara de café.

Os ônibus lotado
de pessoas com semblantes tristes.

Bebo mais uma xícara de café.

A fumaça no céu
A discussão dos vizinhos.

Mais uma xícara.

Musica alta, pessoas barulhentas
A falta de proposito.

O café acaba.

O mal estar vem.

Não é gastrite.
Não é a troca do dia pela noite.
A própria vida me deixa mal.
O cotidiano banal.

Confuso, sem rumo
SEM CAFÉ.
Nada mais me resta.

Volto a dormir.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tic-Tac

"Os dias estão passando rápido demais."
É a sensação que tenho ao olhar as horas.
Ao ver o dia, o ano.

Talvez eu não esteja aproveitando o bastante...

Há o que aproveitar?

Toda a minha vida tem sido como um reflexo condicionado
Aprendendo a agir
Aprendendo a viver.

Como uma engrenagem de uma maquina.
Nos plenos eixos para o bom funcionamento do sistema.

Uma engrenagem comum, básica.
Como outras milhares.
Existe o medo da falha.

Quando alguma engrenagem enferruja
Ou para de funcionar
Não existe analise,
existe substituição.

Tento não pensar nisso enquanto escovo os dentes
Enquanto tomo café.
Enquanto almoço.
Enquanto transo.
Mas o pensamento continua lá.

Sou mesmo uma tola engrenagem...
Me esqueço que a maquina não para
Não dá recesso.

Como eu vim parar aqui?
Pra onde vou se falhar?

Os dias estão passando rápido demais
Ou somos nós que estamos muito lentos?

Perguntas de uma geração
que se tornou nostálgica cedo demais.

Assolados pelo medo da velhice.
Assolados pelo medo do fracasso.

Engrenagens...
Simples engrenagens
de uma maquina em uma fabrica falida.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Terça

"Que bonitinho!!" - Ela diz.
- O que? - pergunto.
"ah...no livro".
- Qual parte?
"Tudo!
Ele é fofo"

Droga.
Mais uma que eu perderia pro sacana, se estivesse vivo.
Mas tudo bem, não me sinto ofendido
Também leio um do Bukowski.

Ambos com livros abertos.
A tarde se põe.
Pontas de cigarro na mesinha.
O café no final.
Cada um dá um pequeno gole
e retorna os olhos ao lúdico.

A estranha sensação de estar imerso.
Familiar a prisão, aos degenerados
Assassinos de Ramon Vasquez.
Presenciando cada cena.
Ao passar os olhos.

Que ironia.
Lendo Bukowski
ambos prestes a ir pra faculdade.
O âmbito mais odiado pelo velho Buk.
Não somos perfeitos.

Há pouco tempo pra ler
O sol se põe
Transformando o céu
até então azul,
em laranja.

Vulva, kant e uma casa feliz.
Ou quase isso.

A noite chegou.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Ressaca Moral

Embriagado com seus desejos
Ludibriado com as expectativas.
Entorpecido com as incertezas.
Viciado na possível melhoria.

Rola dois, três cigarros.
Um gole de café.
Mas ainda está de porre.
Viajando na corriqueira rotina.

Exale a vida
Trague a infelicidade.
Solte a rotina.

Não tem funcionado.

A vida está proporcionando viagens ruins.
Bad trip.
Preciso voltar a ficar sóbrio.

A experiencia lisérgica de se tornar adulto
Não tem me alegrado.
Como faço pra regredir?
Como corto o barato?

O despertador toca.
São 6 da manhã
Infelizmente
não será hoje.

O trabalho me espera.
Já estou atrasado
Para a droga da vida.

O Produto Cefálico™ e o Original.

Vende-se Amor
A preços módicos.
Vende-se Amores Instantâneos

Você os compra nos livros
na tv, no cinema.
Com as mais belas formas que desejar.

Claro, são apenas réplicas dos originais.
Mas são funcionais.
Nas redes sociais, não há reclamações.

O Amor é o produto preferido de minha geração
Junto com o Odio e a Ostentação®.
Todos sentimentos de segunda mão.
Essencialmente modelados,
Corporativo.

Melhor assim.

Sentimentos sinceros são doloridos
Complicados.
É um alto preço a se pagar em nome do status.

O amor verdadeiro é um produto caro
raro.
Que se paga com a vida.
Que se paga com a alma.

Alguns já não podem mais compra-lo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

HH:MM:SS

Contra a correnteza
Foram anos e anos de atitudes pavorosas.

Anos e anos de respeito,
de cordialidade.

Anos e anos de socialização 
de paciência. 

Eu deveria ser mais humano.

Mandar alguém se fuder
Não dar atenção
Não me importar.
Ofender.

Afinal,
é nisso que nossa sociedade está estabelecida.

Me sinto como um traidor.
Um contraventor da lei humana.
Do senso geral,
Sem o senso do ridículo.

Posto cruelmente á pratica desumana do amor.
Sou agora um caso perdido.
Humanidade, me esqueça.

Não existem formas de regeneração
O que restava acabou.
A tv está fora da tomada
O rádio está desligado.
Ouvidos tampados, boca fechada
Nada vi.

Há marchas, protestos e revoltas.
Políticos, corrupção e descaso.
Policia, bandidos e mortes
Em que isso me serve?
Ainda existe eu, você e essa xícara de café!

Não me importo 
E pensando bem
Talvez isso seja um resquício de humanização.

Sinceramente, torço para que não.

Mas como eu saberia?
São 4 da manhã, e ainda não dormi...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Tv e Cigarro

Devo ter esquecido algo
Mas não posso parar.

A vida segue
O tempo passa
Tudo gira.

Nossa rotina diária.
A labuta do dia-a-dia.

A manhã que surge cinza.
A noite que surge sem estrelas.
O ar trocado pela fumaça.
Estamos habituados.

A vida sem glamourização.

O patrão está irritado.
Você está atrasado.
O ônibus que não passou...

Você precisa fumar.

Tem um maço de Eight
amassado em seu bolso.

Traga, exala a fumaça
A garganta doí.
A superioridade não vem.

"Deveria ser um Malboro...
...Ou estão apenas mentindo para nós."

Soa o sinal
O intervalo acaba.
"Acabou meus cigarros"

O Primeiro (mini)Texto Semi-Hermético.

O que sabemos afinal?

Nem mesmo  Deus 
sabia de algo.

Criou o Universo e a Humanidade
Para depois, se desiludir
e destruir tudo...

Recomeçar do zero.

O primeiro e único anarquista que já existiu.

A revolução já foi feita.

Talvez seja esse o erro...

Não existem mais perguntas.

Não existem mais respostas.

Não existe mais Deus.

Disseram que as respostas viriam com o retorno.
O retorno do Messias.

Não é o "Eterno Retorno", Nietzsche
Me desculpe.
Pra mim também, faria muito mais sentido...