domingo, 1 de dezembro de 2013

O peso da morte sobre os vivos.

Ainda tento me consolar

"A vida pode ser muito mais que esse antro de dor."
Eu digo, frágil
ao tentar me enganar.

É difícil acreditar
Que levaria sem hesitar
uma vida tão jovem
com tantos planos a seguir
A morte não deveria ter esse aval...

Não,
a vida não faz sentido
a morte, muito menos.
Quando nos apegamos ao entorno
As pessoas com quem convivemos.
As vitórias lavadas com suor
Felizes com a vida que temos.
A mórbida surpresa nos traz
os incidentes que não entendemos.

É você partindo
É você ausente.
Na juventude
Não está certo....

Queria mesmo entender porque causar essa dor
É um teste
e não estamos vendo?

A vida e seus enigmas
Que em vão, tento solucionar
A saudade que bate
O medo que aparece

...Ainda tento me consolar.

sábado, 23 de novembro de 2013

Um mal perdedor.

O arrependimento é inerente a vida.

A cada frase dita
A cada atitude cometida
O erro estará lá.

Goste ou não
A vida é uma sucessão de erros
Um jogo perverso que não podemos ganhar.

Eu perco e erro todos os dias.
Desperdiço minhas fichas
sou derrotado nas apostas
Não perco a fé em ganhar.

A vitória que sempre me pareceu tão próxima
frequentemente me escapa nas pontas do dedo
Próxima de chegar ao fim...
Próxima a me derrotar...

Me nego.

As poucas vitórias que conquistei são minhas
você é minha
E não posso perder.

Das falhas que cometi
Das atitudes que tomei
Você é a exceção dos meu erros
Você é meu unico acerto
Não posso perder.

É o blefe que me resta
É o Ás da minha manga
Minha cartada final.

É a verdade na mentira
É o sol do meu dia
Minha razão de viver.

O arrependimento que não tive
A atitude correta
O erro de amar

Meu ultimo suspiro
o unico abrigo
Do errante a sonhar...

domingo, 9 de junho de 2013

Enfermo no Inferno com clima de inverno.

Então me sinto só
Mas não estou...

Existe amor após os dias de dor
e gente através das paredes úmidas.

A dor, a doença e a tristeza
Sempre andaram de mãos dadas.
Nos faz esquecer os bons momentos
Nos foca ao ruim, ao negativo
"Não há esperança..."

Que gente é essa que não se importa?
Que amor é esse que não vem?

As angustiantes incógnitas
que permeiam meu pensamento.

A visão ruim
A irritabilidade do meu ser
As horas que não passam
Os dias que não vem.

Haverá saída do vazio?

Aonde estará o calor pra me aquecer nesta noite?
Aonde estará o amor para me preencher?

As respostas que não tenho
As perguntas que quero esquecer.

Por ora, me abstenho de expectativa.
Por ora, apenas irei sonhar.

Não estou sozinho,
Sei disso
Irei esperar...

O vento gélido
A noite fria
Você em outro lugar.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O homem de bem

Algumas coisas vão e não voltam.
A inocência de um garoto
A ingenuidade sobre a vida

Fecha o carro
Saca o cheque
É apenas mais uma conta a se pagar.

O retorno extenso para casa
Para ao amanhecer, retornar.

"Somos todos iguais
Somos todos iguais..."
O som estridente da tv.

Infelizmente, minha igualdade é inválida
afinal, eu preciso sobreviver.

O relógio que está adiantado
O ponto que irei bater
Apenas mais 8 horas para minha casa.
Apenas a rotina a manter.

O sol brilha
o céu azul.
A engrenagem suja
Meu suor.

Somos todos iguais...

Eu também sou apático a você.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O Palhaço

O que o escarnio não revela
omite por fraqueza
falha com franqueza...

A incapacidade de expressar o amor apenas pelo riso.

Foi me dito que apenas palavras não demonstram nada
Gestos falhos e atitudes deslocadas
O amor é algo difícil de expressar.

Queria ser o cara normal
com o velho romantismo sacal
As flores baratas
os versos profundos
Tirados de algum escritor decadente.

Mas logo eu, que não consigo me adequar a nada
Ser imposto a seguir uma cartilha...
(não tenho palavras prontas)
Estou de mãos atadas.

Me sobra a caricatura de mim mesmo.
A arte de ser um clown
Te fazer sorrir.
Para assim exprimir, o quanto eu te quero.

Ouvi você gargalhar
te fazer feliz
E torcer pra que aprecie meu gesto sincero

Dizer que te amo
e não estou enganado
ao dizer que isso é eterno.

E se não acreditar
Nada mais posso fazer.

Serei apenas mais um palhaço triste.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Vie 2.0

Então o tempo voa.
Plana sobre as cabeças dos fracassados
Os doentes sociais: sem-emprego.

O Tempo voa depressa
Uma turbulenta viagem
Nauseadora
Traumática.

O Tempo realmente não para.
Ignora a pista de pouso
Ultrapassa o destino almejado
Seguindo em uma rota desconhecida.

O embarque ao nascer.
A queda inevitável.

A vida, como um serviço de bordo
da classe econômica.

O céu que continua nublado
e o tempo que não para...

quinta-feira, 7 de março de 2013

Pra Não Dizer Que Não Falei...

Nas sinfonias do distúrbio
Nas notas da decepção
Caminhando e cantando
Seguindo a canção.

A falha moral do individuo
A displicência de uma nação
Somos todos iguais
Braços dados ou não.

O ser alienado
A falta de manifestações
Nas escolas, nas ruas
campos, construções.

Vandré, me perdoe
Mas talvez esteja errado.

O poder já decepou as pernas da batalha
Não podemos caminhar

Os gritos sufocados
De uma rebeldia de sofá
Não possui autonomia pra atingir os tímpanos da injustiça

Inertes.
A hora passa.
Nada acontece
Vamos embora...


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Homem que tinha medo de morrer.

Ele tinha medo de morrer
Então não fechava os olhos quando ia pra cama.
Deitava pensando sobre a vida
E dormia sem perceber.

Acordava aliviado, vivo.

Se vestia calmamente
Tomava uma café da manhã saudável.
Evitava ficar perto do microondas.

No caminho a seu trabalho
Olhava para os dois lados.
Atravessava somente na faixa de pedestre.
Nunca andava com o sinal aberto.

Ele tinha medo de morrer
Então prezava por seu emprego.
Nunca chegava atrasado
Nunca se alterava com seu chefe.

"Morrer de fome, deve ser terrível."

Seu chefe percebia sua submissão,
lhe enchia de tarefas.
Algumas até que não eram de sua jurisdição.
Ele nunca reclamou.

Ele tinha medo de morrer.
Então, ao retornar para casa
Esgotado
Nunca ligava a televisão.

"Noticias ruins são tudo que não preciso".

Jantava apenas arroz e algumas saladas.
Ia dormir com a barriga roncando.

Numa noite dessas, não conseguiu dormir.
Pensando em sua solidão, a falta da família
A falta de dinheiro.
A falta de propósito.

"Estou vivendo certo?
É isto a vida afinal?"

Após algumas horas
seus olhos então se fecharam.
Nunca voltaram a abrir.

Colapso nervoso, seguido de ataque cardíaco.

Seu medo agora se foi.
Mas a vida lá fora segue...

Passando em frente a sua casa.
O trabalho noturno tortura alguém

"Não posso me demitir"

Ele também tem medo de morrer...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Males

Hoje acordei muito bem.
Sem vontade de escrever
Com felicidade em pensamento.

Talvez seja essa a hora, que a fraude fica perceptível.

Com o pressuposto de que escrever é algo bom, positivo
É necessário, como alicerce do texto, a ideia pessimista, negativa.
Pelo menos pra mim, essa é a mecânica.

Sempre achei piegas escrever sobre amor:
clichê e pretensioso.
Brega.

Mas é isso que faz o escritor.
A metáfora hermética
O sentido obscuro
Talvez o "não-sentido".
Eu não consigo.

Existe co-relação entre meus sentimentos e o que escrevo.

O amor não dá pra ser descrito
Com comparações, analogias...
Quem o fez, farsante certamente é.

Não se explica, não se entende:
O amor.

Não dá pra fazer um texto sobre o amor.
Por isso, hoje não vou escrever.

Embora já o fiz.

Feliz aniversário.

Os dias simples que eram minha infância.
Acordar,levantar e viver
sem pensar a quem impressionar
Sem o jogo de atitudes, sem demagogia.
Sem se importar.

Vestir a roupa confortável que não está na moda
Sem se enquadrar em padrões
Sem nichos, sem tribo social.
Sem preconceitos. 

Os dias ao meu favor.
As atitudes certas ou erradas
Visando apenas meu bem estar.
Sem terceirização de valores
Pontos a considerar...

O jogo simples de futebol na areia
O sol, o suor
A roupa suja.
Que isso importa?

Minha alegria ao voltar pra casa
A satisfação de mais um dia terminado.
Machucados no joelho, arranhões no braço: Um sorriso no rosto.

Dias simples eram minha infância.

Infelizmente a maquina não para
Felizmente a mente também não.

Ainda posso lembrar
Senti o ar que respirava
A luz que me refletia.

O vigor de minha juventude
Que agora me escapa entre os dedos...

Feliz Aniversário.

Como está o trabalho?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O caminho certo.

Numa rua deserta
Em um caminho desconhecido
Me deparo com uma bifurcação na estrada.

Paro o carro.
Procuro um mapa.

Nenhum é encontrado.

Encontro, entretanto
Duas pessoas andando
no meio da rua.
Pareciam meio perdidas
Mais do que eu...

Por falta de opção melhor:
"Hey, vocês sabem por acaso, qual é o melhor caminho a seguir?"
Perguntei, enquanto mostrava o nome do meu destino
num pedaço amassado de papel.

- A esquerda, com certeza.
Um deles disse.

- VOCÊ ESTÁ LOUCO? Com certeza o melhor caminho é a direita.
Retrucou o outro.

Assisti a discussão.

- O caminho da direita é tortuoso. Não são todos os carros que conseguem passar por lá.
Com carro popular, pode esquecer, vá pela esquerda.

- O caminho da esquerda é perigoso. Você encontrará vadias e drogados.
É um caminho que já matou milhões, vá pelo caminho certo, pela direita.

- Ah é? Me diga o que ele fará quando o carro dele atolar e ele não conseguir sair, por não ter dinheiro pra chamar o guincho?

- Só se você me responder, o que ele fará quando tiver que doar uma de suas rodas, porque a de um carro vizinho furou?

- Quem disse que ele terá que doar?

- Quem disse que ele não terá dinheiro?

- Seu fascista.

- Drogado imoral.

- Você já estudou geografia? Já viu como seu caminho fez mal aos transeuntes?

- E você? Vivendo na utopia do caminho perfeito...

Então parei de ouvir.

O sol parecia distante
O carro estava desligado
acompanhando minha mente.

Os dois rapazes continuaram a discutir
Até a discussão virar briga.
Com direito a socos e pontapés.

Socos de direita
Ganchos de esquerda.

Dei ré, fiz a volta no carro
E regredi.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

5 am (de novo, de novo, de novo...)

Ouça o som da madrugada.

Ninguém diz nada.
Nem mesmo o vento.

O extremo silêncio.

Sem buzinas, crianças chorando
cachorros latindo, gritos.
Mais gritos, barulhos de panela
copos se quebrando, gatos procriando
Musica ruim e alta.

Não as 5 horas da manhã.

Talvez seja esse o motivo de estar acordado.
A verdadeira sensação de paz.
De alivio. 
Talvez eu seja um misantropo. 

Não há muito o que apreciar quando todos acordam.
Não há tempo.
Nunca há tempo.

A beleza da manhã
é destroçada pelo o cotidiano.
A paz matinal
é substituída pelo stress.

Hollywood nos ilude novamente.
Não consigo apreciar o nascer do sol
com o cigarro acesso
Fazendo olhar de inteligente pro céu...

Que embuste.

Hollywood dorme as 6 da manhã
E eu deveria fazer o mesmo.
e faço.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

R$ 9.10

"Hum... neorrealista ein...
Bacanas seus textos, cara.
Um pouco pessimista, devo dizer.
Mas deve ser culpa do Bukowski
Ou dos quadrinhos do Pekar"

Bom, eu...

"Tudo bem cara.
Influencias são importantes.
Mas me diga, porque tanta angustia?
Digo, você vive bem, tem uma boa casa
Uma namorada.
Você ama sua namorada, não ama?"

Amo....

"...Então rapaz.
Anime-se.
Você é jovem ainda
Tem a vida pela frente."

Eu simplesmente escrevo
Não é como se eu fosse um ser soturno.
Mas verdade seja dita
A vida também não é essa maravilha toda.

"Como não cara?
Escute!
Tá escutando?"

Não.

"Exato.
Você vive no interior,cara.
Não tem o transito caótico
e todo o stress paulistano
Buzinas, fumaça, céu permanentemente nublado.
Isso sim deixaria alguém terrivelmente deprimido".

Você deve ter razão.
Bom, vou indo já.

"Então é só isso?
Deu 9 reais e 10 centavos"

Ok.

"Tem uma moeda de 10 ai?
Facilitaria o troco"

Poxa, não tenho.

"Tudo bem."

Bom, até mais
A gente se vê cara.

"Não tão cedo, to trabalhando 12 por 36
nessa loja de conveniência.
Não me sobra tempo pra praticamente nada
A não ser dormir."

Isso explica muita coisa.

"O que?"

Nada cara.
Até mais
Bom falar contigo.

Acorda, Bruno.

Acordei 2 horas mais cedo hoje
Chamo isso de progresso.

Após me alertarem dos malefícios
de trocar o dia pela noite
Novamente, sem hesitação
Mudo meus hábitos
Em busca de uma vida melhor.

Sem gastrite
Com café.

A sensação ainda é a mesma.
Não foi o suficiente pra me conformar.

Pessoas uniformizadas andando pela rua.
Com pressa
com stress.

Bebo uma xícara de café.

Os ônibus lotado
de pessoas com semblantes tristes.

Bebo mais uma xícara de café.

A fumaça no céu
A discussão dos vizinhos.

Mais uma xícara.

Musica alta, pessoas barulhentas
A falta de proposito.

O café acaba.

O mal estar vem.

Não é gastrite.
Não é a troca do dia pela noite.
A própria vida me deixa mal.
O cotidiano banal.

Confuso, sem rumo
SEM CAFÉ.
Nada mais me resta.

Volto a dormir.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tic-Tac

"Os dias estão passando rápido demais."
É a sensação que tenho ao olhar as horas.
Ao ver o dia, o ano.

Talvez eu não esteja aproveitando o bastante...

Há o que aproveitar?

Toda a minha vida tem sido como um reflexo condicionado
Aprendendo a agir
Aprendendo a viver.

Como uma engrenagem de uma maquina.
Nos plenos eixos para o bom funcionamento do sistema.

Uma engrenagem comum, básica.
Como outras milhares.
Existe o medo da falha.

Quando alguma engrenagem enferruja
Ou para de funcionar
Não existe analise,
existe substituição.

Tento não pensar nisso enquanto escovo os dentes
Enquanto tomo café.
Enquanto almoço.
Enquanto transo.
Mas o pensamento continua lá.

Sou mesmo uma tola engrenagem...
Me esqueço que a maquina não para
Não dá recesso.

Como eu vim parar aqui?
Pra onde vou se falhar?

Os dias estão passando rápido demais
Ou somos nós que estamos muito lentos?

Perguntas de uma geração
que se tornou nostálgica cedo demais.

Assolados pelo medo da velhice.
Assolados pelo medo do fracasso.

Engrenagens...
Simples engrenagens
de uma maquina em uma fabrica falida.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Terça

"Que bonitinho!!" - Ela diz.
- O que? - pergunto.
"ah...no livro".
- Qual parte?
"Tudo!
Ele é fofo"

Droga.
Mais uma que eu perderia pro sacana, se estivesse vivo.
Mas tudo bem, não me sinto ofendido
Também leio um do Bukowski.

Ambos com livros abertos.
A tarde se põe.
Pontas de cigarro na mesinha.
O café no final.
Cada um dá um pequeno gole
e retorna os olhos ao lúdico.

A estranha sensação de estar imerso.
Familiar a prisão, aos degenerados
Assassinos de Ramon Vasquez.
Presenciando cada cena.
Ao passar os olhos.

Que ironia.
Lendo Bukowski
ambos prestes a ir pra faculdade.
O âmbito mais odiado pelo velho Buk.
Não somos perfeitos.

Há pouco tempo pra ler
O sol se põe
Transformando o céu
até então azul,
em laranja.

Vulva, kant e uma casa feliz.
Ou quase isso.

A noite chegou.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Ressaca Moral

Embriagado com seus desejos
Ludibriado com as expectativas.
Entorpecido com as incertezas.
Viciado na possível melhoria.

Rola dois, três cigarros.
Um gole de café.
Mas ainda está de porre.
Viajando na corriqueira rotina.

Exale a vida
Trague a infelicidade.
Solte a rotina.

Não tem funcionado.

A vida está proporcionando viagens ruins.
Bad trip.
Preciso voltar a ficar sóbrio.

A experiencia lisérgica de se tornar adulto
Não tem me alegrado.
Como faço pra regredir?
Como corto o barato?

O despertador toca.
São 6 da manhã
Infelizmente
não será hoje.

O trabalho me espera.
Já estou atrasado
Para a droga da vida.

O Produto Cefálico™ e o Original.

Vende-se Amor
A preços módicos.
Vende-se Amores Instantâneos

Você os compra nos livros
na tv, no cinema.
Com as mais belas formas que desejar.

Claro, são apenas réplicas dos originais.
Mas são funcionais.
Nas redes sociais, não há reclamações.

O Amor é o produto preferido de minha geração
Junto com o Odio e a Ostentação®.
Todos sentimentos de segunda mão.
Essencialmente modelados,
Corporativo.

Melhor assim.

Sentimentos sinceros são doloridos
Complicados.
É um alto preço a se pagar em nome do status.

O amor verdadeiro é um produto caro
raro.
Que se paga com a vida.
Que se paga com a alma.

Alguns já não podem mais compra-lo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

HH:MM:SS

Contra a correnteza
Foram anos e anos de atitudes pavorosas.

Anos e anos de respeito,
de cordialidade.

Anos e anos de socialização 
de paciência. 

Eu deveria ser mais humano.

Mandar alguém se fuder
Não dar atenção
Não me importar.
Ofender.

Afinal,
é nisso que nossa sociedade está estabelecida.

Me sinto como um traidor.
Um contraventor da lei humana.
Do senso geral,
Sem o senso do ridículo.

Posto cruelmente á pratica desumana do amor.
Sou agora um caso perdido.
Humanidade, me esqueça.

Não existem formas de regeneração
O que restava acabou.
A tv está fora da tomada
O rádio está desligado.
Ouvidos tampados, boca fechada
Nada vi.

Há marchas, protestos e revoltas.
Políticos, corrupção e descaso.
Policia, bandidos e mortes
Em que isso me serve?
Ainda existe eu, você e essa xícara de café!

Não me importo 
E pensando bem
Talvez isso seja um resquício de humanização.

Sinceramente, torço para que não.

Mas como eu saberia?
São 4 da manhã, e ainda não dormi...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Tv e Cigarro

Devo ter esquecido algo
Mas não posso parar.

A vida segue
O tempo passa
Tudo gira.

Nossa rotina diária.
A labuta do dia-a-dia.

A manhã que surge cinza.
A noite que surge sem estrelas.
O ar trocado pela fumaça.
Estamos habituados.

A vida sem glamourização.

O patrão está irritado.
Você está atrasado.
O ônibus que não passou...

Você precisa fumar.

Tem um maço de Eight
amassado em seu bolso.

Traga, exala a fumaça
A garganta doí.
A superioridade não vem.

"Deveria ser um Malboro...
...Ou estão apenas mentindo para nós."

Soa o sinal
O intervalo acaba.
"Acabou meus cigarros"

O Primeiro (mini)Texto Semi-Hermético.

O que sabemos afinal?

Nem mesmo  Deus 
sabia de algo.

Criou o Universo e a Humanidade
Para depois, se desiludir
e destruir tudo...

Recomeçar do zero.

O primeiro e único anarquista que já existiu.

A revolução já foi feita.

Talvez seja esse o erro...

Não existem mais perguntas.

Não existem mais respostas.

Não existe mais Deus.

Disseram que as respostas viriam com o retorno.
O retorno do Messias.

Não é o "Eterno Retorno", Nietzsche
Me desculpe.
Pra mim também, faria muito mais sentido...