quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Boas Festas, Nagasaki.

Fogos de artificio no céu.
Diversas garrafas de champagne aberta.
Embriaguez.

Somos nós outra vez
Celebrando a hipocrisia.

Inimigos se abraçam
Desafetos se cumprimentam.
Estupidez.

Somos nós outra vez.
Impondo a diplomacia.

Estamos imunes a isso.

A melancolia do natal.
A melancolia do fim de ano.
Estamos a envelhecer...

Num flash
Uma retrospectiva do ano
passa pela sua cabeça...

Não importa.

O sorriso na cara
O desejo de felicidade.
Tudo tão falso
tudo tão planejado.

Aonde está o bom velhinho?

Estará próximo ao vinho
e as champagnes abertas?

Estará próximo á embriaguez
e a estupidez da hipocrisia?

O lúdico parece tão real...
até que faz sentido.

Estamos todos embriagados:
Pelo falso prelúdio de prosperidade;
Pela falsa sensação de humanismo.
Gostamos de nos enganar.

Não estamos melhores hoje
É apenas o efeito do álcool.

Ninguém percebe.

A festa acaba.
Você reflete.

Talvez o futuro não será melhor.
Talvez o espirito natalino seja um embuste.
Talvez seja melhor ir dormir.

Acabado, destruído, sem esperança.

A  musica natalina toca no rádio...
Finalmente a compreendo.
É como Hiroshima dentro de mim!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Teorema de Existir.

Como flutuar: sorrir.
Duas coisas impossíveis para mim.
Enquanto sou vencido pelo cotidiano
Abatido pelo dia a dia.
Os sorrisos não são possíveis.

Como prosperar: sonhar.
No contínuo pensamento positivo.
Do melhor dia. Do fim da rotina.
Do fim do tédio.

Como aprender: errar.
No modo certo, de trocar a perna
Ao acordar.
Cair, mas  poder levantar.

Como alcançar: viver.
Sem respostas definidas.
Apenas enigmas e desafios
a vencer do seu jeito.

Como vencer: sorrir, sonhar, errar...
VIVER.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

É Amar...A maré!

Amar é como comandar um navio.
Sem bussola, sem rumo.
Na imensidão do mar.

Com a possibilidade de enjoos, tontura
A incerteza de sua localização.
Apenas seguindo em frente.

Todas as emoções
são como tripulantes
Nessa estranha viagem.

Confusos, perdidos, agitados.
Mas confiantes
no discernimento de seu capitão.

Coitados...
Não há nenhum.
Não há capitão nessa jornada.

O navio se movimenta
conforme a direção do vento.
Aleatoriamente.

Tento explicar isso ao meu amigo
enquanto jogamos xadrez
Ele parece não compreender:
"Isso é loucura!
Você não pensa nos riscos dessa viagem?
Você pode morrer, ficar a deriva, ilhado.
No melhor dos casos, não chegar a lugar algum.
Puro desperdício de tempo"

Movi o cavalo
respondi:
"É, realmente, é um dos riscos.
Mas confiança é a chave.
Posso ficar a deriva, ilhado, morrer...
Como também posso encontrar um continente inteiro.
Quem sabe?
Continuarei a navegar."

Ele move sua torre:
"Xeque".

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Messias

Diga a todos que voltarei.

E partiu pra imensidão do universo
para algum lugar distante e remoto.
Que até os dias de hoje não foi encontrado.

Ficamos aqui.
Ficamos bem.

Existem guerras, fome
Desigualdade.

Mas ficamos bem.

Existe o desespero entre famílias
Conflito entre os povos.
Mas juro que estou bem.

Do que posso reclamar?
Da minha casa, da minha refeição?
Do meu emprego?
Ainda bem que tenho refeições
Ainda bem que tenho casa
Ainda bem que tenho emprego.

O problema está com os outros.
Eles sim, são ingratos.

Mas eu?
Eu juro que estou bem.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sobre nós.

Deitado na rede
Escuto ela, ao meu lado
Falando empolgada novamente.
Falando demais novamente
E eu gostando disso.

Ela possui cabelos de "macarrão parafuso"
igual miojo.
Mas ela não sabe cozinhar.

Somos tão diferentes...

Ela crê
Eu não creio.
Ela é solidária
Eu não.
Ela apoia os hippies
Eu os detesto.

E nesse embate ideológico constante
Não consigo entender como nos entendemos.
Como não brigamos
Como isso é possível?
Somos tão diferentes...

Mas ainda assim,na madrugada
Deitado ao seu lado
Me sinto a pessoa mais feliz do mundo.
Seu cheiro, seu toque, seu cabelo
Seu beijos, seus carinhos, suas risadas
seu olhar...
Tudo me hipnotiza.
Tudo me deixa emocionalmente embriagado.

Ela diz "te amo"
Eu também digo.
E de repente
Somos tão iguais...


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dinheiro (ode ao niilismo social)

"O capitalismo é terrível"

Escuto em uníssono
Das mesmas pessoas que contam moedas
ao receber o troco.
Das mesmas pessoas que fazem suas contas
ao receber o salário.

"...precisava de mais dinheiro"

Num surto humanitarista
Somos todos contra o sistema.
Lutamos contra a opressão
Ativistas
Juventude consciente.

Odiando o capitalismo, por não ter dinheiro.
Rejeitando o amor, por não ser amado.
Odiando a sociedade, por fazer parte.

A vida não é justa...

Luiz diz, via iphone
que devemos lutar contra as grandes corporações
nas redes sociais.
Ele deve ter razão...ele é um Guarani-Kaiowá

Todos nós somos...
Até a tela do computador desligar.
Amanhã tenho que acordar cedo
Maldita entrevista de emprego.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Pássaro Vermelho

O pássaro vermelho corta o céu
Como uma navalha corta o indigente.

Voando sobre nossas cabeças
Nada poderia ser mais gracioso.
Observo-o enquanto tomo café.

Não me lembro da ultima vez que estive em paz assim.
É uma boa sensação.
A agonia da monotonia, ainda ronda minha sala
Mas o êxtase visual me faz esquecer disso.

"Sou jovem.
Pra que tanta angustia?
O tempo está do meu lado"

Vendo o pássaro vermelho indo embora
Não me sinto tão ingenuo.
Doce ilusão...

Os dias passam voando.
Tão rápido quanto o pássaro vermelho.

domingo, 11 de novembro de 2012

Maturidade

A vida flui naturalmente
Num sábado a noite.

Enquanto a chuva cai lá fora
Você percebe que é adulto.

Sua juventude lhe escapa entre os dedos
Ao mesmo tempo que te cobram maturidade.

Uma palavra que inventaram
Com o objetivo de te doutrinar
Dizer que esse jogo tem regras pré-estabelecidas.
Existe um jeito certo de se viver.

Me mantenho em fase de negação.

Como muitos, infelizmente
Sei que sucumbirei.
Falharei como todos outros
Que enfrentaram as regras.

É necessário ter responsabilidades:
Acordar cedo, trabalhar, pagar suas contas
pensar na aposentadoria, pagar impostos
economizar, dormir, acordar, trabalhar...

É o jeito correto de se viver.
É como todos vivem.

Envelhecer foi um grande erro
Não quero mais ser adulto.
Aonde eu reverto o processo?
Que botão devo apertar?

Quero brincar
Pular entre campos verdes
Sentir meu coração disparar

É o que quero!

Mas não posso
infelizmente, não posso.
O relógio marca 03:00
Amanhã tenho que trabalhar.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Ao enxergar

A sobriedade é um estado mental.
Passageira.
Assim como a lucidez.

Na maior parte do tempo
estamos dando atenção ao lúdico.
Sonhos, desejos, anseios

Ainda bem.

Não estamos sóbrios, não estamos lúcidos.
Estamos sonhando, estamos simulando.
Fingindo viver.
Fingindo conviver
Fingindo aceitar

A lucidez é um delirio
Delirio que quero distancia.

A sobriedade é passageira
e acho que chegou a hora de seu desembarque
Da minha vida.

100 Batidas de jazz.

Ao toque de recolher da madrugada.
Demônios saem a andar.

Deus
Os anjos, as criaturas celestiais
Estão adormecidas
Mas as trevas tem outros planos.

Com seu exército minuciosamente realocado
Nas esquinas
Nas ruas da avenida principal
Nos becos.
Aonde existem capsulas de cocaína na calçada.

Estou emperrado.
Meu carro está sem gasolina.

É perigoso lá fora
Mas talvez eu possa tomar 1 dose.
Talvez uma segunda dose me acalme.
Uma terceira dose não fará mal
Tão pouco a quarta.
A quinta...espero que me mate.

Não...
Abro os olhos.
Levanto a cabeça.
Foi um sonho.

Estou vivo
Estou intacto
Estou acordado.

Preso no meu pior pesadelo:
Minha vida continua.

Café fraco.

O simples querer das coisas
Não viabiliza sua chegada

Querer
Não é ter
E isso algo difícil de admitir.

Sentado, encarando o pôr-do-sol
E desejando tudo.

Querendo um carro
Querendo viajar
Querendo viver.

Querer
Não é ter.

As vezes me pego pensando
"Estou vivendo?
Estou realmente vivendo?"

Desejo, com certeza não me falta
O que me falta?
Aonde estou errando?
Queria realmente saber...

Queria ter a certeza
De que não estou errando
É tudo um engano
e provavelmente vai passar.

Queria.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Segunda

E o café continua quente...

É uma tarde de segunda.
Uma segunda qualquer.

Pessoas estão em seus trabalhos
Velhos em suas praças
Crianças em suas escolas

Mas eu estou aqui.

É incrível as opções.
Podemos fazer de tudo
numa segunda a tarde.

Ler livros
ouvir musicas
assistir inutilidades na tv.

Mas minha mente não.

Minha mente
não me deixa escolher essas opções.

Minha mente prefere o gosto amargo do tédio.
A sensação de vazio
A indiferença sobre o sol
A indiferença sobre a rotina.

É uma tarde de segunda
triste tarde de segunda
Mas ao menos o café está quente.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Me adaptando a luz.

Trancafiado num poço escuro e fétido.
Nada de bom surgiria ali.

Sufocante
Asfixiador.

Chame como quiser.

Era um poço escuro e fétido
e eu queria sair.

Todos os dias torcendo
todos os dias almejando...

O poço escuro e fétido
passou a fazer parte do meu cotidiano.

Mas encontrei a saída.

No poço escuro e fétido não pretendo voltar.
Estou livre.

Sem mais horários
sem mais alarmes.

Não há patrão
nem a escuridão putrefata
da alienação

Mas e agora?
Pra onde ir?

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Halloween

Monstros atacam
Sangue-sugas parasitam tudo.

Mumias resurgem
Vampiros abocanham o que conseguem.

A triste sensação de impotência.
Todos os monstros tem poderes.

Os monstros estão dominando o país
e não podemos fazer nada.

Feras discutindo
debatendo
Quem devora a cidade primeiro?

A ordem natural das coisas
A ordem do congresso nacional.

A sessão do plenário está acabando.

Melhor assistir outra coisa.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Cotidiano do fim dos dias.

A temperatura está insuportável.
Mais calor do que podemos aguentar.

Quase sinto o tecido da minha pele degenerar
Minha cabeça explodir.

Nos bares, velhos continuam a beber
Todos suados
e sem camisa.

Nas ruas, mendigos se degladiam com facas.
Era a água de alguém,
a que está agora evaporando no asfalto.

Vizinhos reclamam.

Os poros em suas faces estão visíveis.
O aspecto sujo e oleoso também.
A testa molhada.

Todos amavam um tempo com sol...

Entro em minha casa
bebo café.
ligo a tv.

É só o inferno e mais nada.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Os dias atuais

Os mais gélidos sentimentos
As mais frias emoções.

As mais duras verdades
As mais temíveis negações.

Então a saudade bate sua porta.

Se sente frio
impotente e vazio por dentro.
Se sente só.

Sente frio.

Está 28 graus lá fora
noite de segunda.

Solitária segunda...
Até que você é bela.

Mas preferia estar com ela.

domingo, 28 de outubro de 2012

Athenas

Dentro do ônibus
compreendo melhor.

Esse transporte claustrofóbico...
Mães com filhos no colo
Semblantes abatidos, cansados
Mas nunca tristes.

Me sinto tão deslocado aqui
Pra que serve a angústia, afinal?

Dou sinal
O ônibus não para...
Preciso me conformar.

As vezes, a vida não é como desejamos.

sábado, 27 de outubro de 2012

9:15 am

O dia amanheceu nublado.
O tempo preferido dos melancólicos.

Dias nublados criam expectativas...

Será que vai chover?
Será que o sol aparecerá?

A vida é cheia de incógnitas.
A vida é como um dia nublado
Aonde não temos controle
Aonde apenas esperamos o tempo melhorar.

O tempo passa
O café fica pronto
Sente a briza em seu rosto
Começa a chover...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Por caminhar só II

Fingir tristeza é tão patético
quanto fingir alegria.
Creio que todos já fizemos isso.

Hollywood nos catequizou

O hype de acender um cigarro
enquanto observa o nada
Com olhos focados
Enquanto a neblina cai.

Jovem, descolado
vai modificar o mundo
a 100 por hora.

Não existem trilhas sonoras na vida real
Apenas seus ruidos.
Seus pensamentos.
E seu trabalho ao amanhecer.

Por caminhar só

Na vida real, não existe trilha sonora
enquanto estamos em perigo.
Não existe musicas melancolicas
quando estamos tristes.
Ou musicas agitadas
em momentos de adrenalina.

Enquanto caminha pelas ruas sujas
Percebe que o unico som
é um silencio gritante
aterrorizador.

Por vezes, escuta buzinas de carros
Por vezes, escuta tiros.
latido de cachorro
briga de gatos
briga de vizinhos...

Sente falta do silencio...
Ainda bem que na vida real, não existe trilha sonora.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

...três, quatro ou cinco...

...Ou talvez mais.
Na verdade, nem lembro ao certo
Quantas vezes refleti sobre o que estava errado na minha vida.

Cheguei a diversas conclusões
Bolei diversas saídas
Mas ainda estou como estou.
Nada mudou.

O mundo não gira ao meu redor.
E isso é bom.
Coisas precisam acontecer...

Pra saber o quanto é bom a estabilidade
Você precisa conhecer a instabilidade.

É por isso que precisa existir guerra
precisa existir ódio
doença
e trabalho.

Sem guerra
Ninguém reivindicaria a PAZ.
Sem ódio
Ninguém clamaria por AMOR.
Sem doença
Ninguém desejaria SAÚDE.
Sem trabalho
Ninguém gritaria por LIBERDADE.

0,78 x 1,88 x 0,20

Era só nós dois
numa cama apertada de solteiro.

Chovia forte lá fora
Mas me sentia aquecido.

Talvez era o aperto da cama.

Talvez não era.

Que diferença isso faz?

Estou numa cama de solteiro agora
Ela não está do meu lado...

Chove forte lá fora
E sinto o frio percorrendo a espinha

Saudades.
Que sentimento terrivel esse.

A ausencia do sol

Tudo faz sentido quando o céu está cinza.

O ar blasé, ao sentir seu corpo cortando a neblina
O ar blasé, ao ouvir o som de seus passos.
O ar blasé, ao se sentir sozinho na rua.

A fumaça sai da sua boca

Pessoas se agasalham
Tentam usar roupas diferentes
Tremem
e rangem os dentes.

Tudo faz sentido quando o céu está cinza.

Desabrigados morrem nas calçadas
Os garotos com fome
se aquecem cheirando cola...

Ainda há fome.

Mas o ar blasé domina tudo

"Não ligue pra isso
Veja como é bonito um dia nublado.
Queria mais dias como esse..."

Essa manhã.

Então você acorda
Levanta
Lava o rosto
Escova os dentes.

Sente que seu café está fraco, essa manhã
Sente que o vento está forte, essa manhã
Essa manhã...
É como todas as outras

Você está pronto a aceitar
que não possui a autonomia da sua vida
Que diferença isso faz?
Ninguém realmente possui

Existe um cheque pelas 44 horas trabalhadas
em cada pasta, bolso, bolsa, gaveta, banco.
Pessoas comuns estão satisfeitas com isso.
Ou fingem estar, enquanto dançam
enquanto bebem
enquanto forçam o riso
enquanto choram...

Não consigo encontrar minha chave
Mais um dia que chego atrasado no serviço.